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Planejamento

Orçamento de mídia para e-commerce: como calcular e dividir a verba do mês

· 15 min de leitura · Por Diego Santana

Premissa

Orçamento de mídia não é o mês passado mais dez por cento

Na maior parte das operações, a verba de mídia do mês é definida em trinta segundos: pega o valor do mês anterior, ajusta um percentual para cima se o mês parece bom, para baixo se o caixa apertou, e manda rodar. Ninguém abre a conta, porque não existe conta. Existe hábito.

O problema desse hábito não é ele estar errado por acaso. É que ele carrega para frente todo erro que já estava lá atrás. Se a verba de junho já estava alta demais para a margem, julho vai estar mais alta ainda, e assim por diante, até o dia em que o resultado da operação não fecha e ninguém consegue apontar em que mês exatamente a conta começou a não fechar.

Orçamento de mídia é a decisão financeira mais consequente da operação de e-commerce, e quase sempre é a menos calculada. Ele determina quantos clientes novos vão entrar, quanto de margem vai sobrar por pedido e quanto de caixa vai ficar preso em leilão. Uma meta de receita bem construída morre na hora em que a verba que deveria sustentá-la é chutada.

Este artigo faz o caminho inverso: parte do que a margem aguarda pagar por cliente, chega ao valor da verba e só então divide esse valor. Nenhum número aqui é palpite. Todos saem de dados que a operação já tem.

⚠ Sinais de que o orçamento foi herdado, e não calculado

  • A verba do mês é a do mês passado com um ajuste percentual, sem nenhuma conta no meio
  • Ninguém na operação sabe dizer, de cabeça, qual é o CAC máximo que o negócio aguenta pagar
  • A verba é definida antes da meta de receita, e não a partir dela
  • A divisão entre canais repete a do mês anterior porque é o que sempre foi
  • Existe verba rodando em campanha que ninguém consegue explicar o que deveria provar
  • Quando o mês aperta, o corte cai primeiro no teste e nunca no motor que já parou de performar
  • O aumento de verba é discutido em reunião, e a margem do produto que vai receber essa verba não está na mesa

O ponto de partida

O Teto de CAC: quanto o negócio pode pagar por cliente

Antes de decidir quanto gastar, existe uma pergunta que precisa de resposta escrita: quanto vale, para o seu negócio, um cliente novo? Essa resposta é o teto de CAC, e ela não vem do mercado, do concorrente nem do benchmark. Vem da margem de contribuição do seu próprio pedido.

Margem de contribuição é o que sobra do pedido depois de tudo que varia com ele: custo do produto, taxa de gateway, comissão de marketplace, frete que você subsidia, imposto sobre a venda e embalagem. O que sobra é o dinheiro que pode ser gasto para trazer aquele pedido, pagar a estrutura fixa e virar lucro. Aquisição disputa espaço com estrutura e lucro dentro dessa mesma sobra.

A decisão que ninguém pode terceirizar é quanto dessa sobra vai para aquisição. Não existe percentual certo: existe percentual coerente com o momento da operação.

Ticket médio × Margem de contribuição (%) × Fatia da margem destinada à aquisição (%) = CAC máximo

A fatia da margem é decisão de negócio, não é conta. Operação que precisa de caixa no mês usa uma fatia menor e cresce devagar. Operação que está comprando participação usa uma fatia maior, e a diferença é que ela sabe que está comprando, com prazo e limite escritos.

A mesma decisão pode ser lida em ROAS, que é a linguagem que o gerenciador fala. O ROAS de equilíbrio é o ponto em que a venda paga exatamente o que custou trazer, sem sobrar nada para estrutura nem para lucro.

1 ÷ Margem de contribuição (%) = ROAS de equilíbrio

O ROAS de equilíbrio é piso, nunca é meta. Abaixo dele, cada venda a mais aumenta o prejuízo em vez de reduzir. A meta de ROAS é o equilíbrio dividido pela fatia da margem que você aceita gastar: aceitar metade da margem em aquisição significa mirar o dobro do ROAS de equilíbrio.

Um exemplo puramente ilustrativo, com números redondos escolhidos para a conta ficar legível e sem nenhuma relação com dado de cliente: ticket médio de R$ 200,00, margem de contribuição de 40%, e a decisão de destinar metade dessa margem à aquisição. O CAC máximo é R$ 200,00 × 0,40 × 0,50 = R$ 40,00. O ROAS de equilíbrio é 1 ÷ 0,40 = 2,5, e a meta de ROAS passa a ser 2,5 ÷ 0,50 = 5,0. Os dois números dizem a mesma coisa em unidades diferentes.

Duas correções que quase toda operação precisa fazer nessa conta. A primeira: use margem de contribuição, não margem bruta. Quem esquece o gateway, o frete subsidiado e a taxa de aprovação do pagamento superestima o teto e passa meses achando que está lucrando. A segunda: se você tem recompra medida e confiável, o teto pode olhar o LTV, e não só o primeiro pedido. Mas essa licença só vale com número medido na sua base, não com estimativa otimista, e ela só se sustenta se o caixa aguentar o intervalo entre a primeira compra e a segunda.

Dimensionamento

Da meta para a verba: a conta que vem de trás

Com o teto de CAC na mão, a verba deixa de ser uma escolha e passa a ser uma consequência. A pergunta muda de "quanto eu quero investir" para "quantos clientes novos a meta deste mês exige, e quanto custa trazer cada um deles".

O detalhe que muda tudo nessa conta é a palavra novos. A meta de receita do mês é entregue por duas fontes: quem já é cliente e volta, e quem nunca comprou e chega agora. A verba de mídia responde pela segunda. Pagar leilão por um pedido que a base entregaria de qualquer jeito por CRM, e-mail ou busca de marca é o desperdício mais silencioso da operação, porque ele aparece como venda no relatório.

Pedidos que a meta exigePedidos que a base entrega sem mídia = Pedidos que a verba precisa comprar

O segundo termo é histórico, não é esperança: some os pedidos de canal direto, orgânico, e-mail, WhatsApp e recompra dos últimos três meses. Se esse número nunca foi medido, esta é a primeira coisa a resolver, porque sem ele o orçamento inteiro fica em cima de uma suposição.

Pedidos que a verba precisa comprar × CAC máximo = Teto de verba do mês

É teto, não é obrigação de gasto. Se a operação entrega a meta gastando menos, a diferença vira margem, e não sobra a ser queimada até o dia 31. Orçamento que precisa ser inteiramente consumido não é orçamento, é cota.

Essas duas contas só ficam de pé se as quatro entradas abaixo forem números reais da operação, colhidos com critério e não relembrados de memória. Quando alguma delas é palpite, o resultado herda o palpite inteiro e ainda ganha a aparência de conta.

  • 1 — Meta de receita do mês: Vinda do planejamento por drivers, não de um número redondo escolhido em reunião. Ela precisa estar quebrada em pedidos e ticket, senão não converte em verba.
  • 2 — Ticket médio realizado: O dos últimos noventa dias, não o do melhor mês. Ticket puxado por uma campanha de kit que não vai se repetir infla a conta inteira para cima.
  • 3 — Margem de contribuição por pedido: Depois de produto, gateway, frete subsidiado, imposto e embalagem. Se ela varia muito por linha de produto, a conta precisa ser feita por linha, e não na média.
  • 4 — Pedidos que a base entrega sem mídia: Média dos últimos três meses de direto, orgânico, e-mail, WhatsApp e recompra. É o que separa comprar cliente novo de pagar por venda que já viria.

Repare que a conta pode devolver um teto de verba menor do que a operação já gasta hoje. Quando isso acontece, o resultado não é um erro da conta: é a descoberta de que o crescimento atual está sendo financiado por margem, e não por eficiência. É uma informação cara de receber e barata de ignorar, e ignorá-la é exatamente o que faz a operação chegar em dezembro com faturamento recorde e caixa apertado.

Framework

A Régua dos 3 Cortes: camada, linha de produto e canal

Definido o valor, começa a parte em que a maioria erra: dividir. E o erro raramente está no percentual escolhido. Está na ordem em que os cortes são feitos.

A operação típica abre o gerenciador e divide por canal primeiro: tanto em Meta, tanto em Google. Só que canal é meio de compra. Ele não responde a pergunta de negócio, que é quanto do dinheiro vai para sustentar o que já funciona, quanto vai para descobrir o que ainda não sabemos e quanto vai para colher quem já entrou.

A Régua dos 3 Cortes inverte essa ordem. Ela divide a verba três vezes, e cada corte responde uma pergunta diferente.

  • 1 — Corte por camada: Quanto vai para o motor, para o teste e para o fundo. Responde: qual é o equilíbrio entre sustentar hoje e construir o mês que vem.
  • 2 — Corte por linha de produto: Quanto vai para cada família de produto dentro de cada camada. Responde: qual margem esse dinheiro vai comprar, já que produto de margem diferente merece verba diferente com o mesmo ROAS.
  • 3 — Corte por canal: Quanto vai para cada plataforma dentro de cada linha. Responde apenas: onde essa gente está e como se compra a atenção dela. É execução, é o último corte.

O primeiro corte é o que mais muda comportamento na operação, porque ele obriga a declarar o que cada real está fazendo ali. Uma verba de mídia saudável tem três funções vivas ao mesmo tempo, e cada uma delas é julgada por um critério próprio.

CamadaFunção da verbaFaixa de partidaCritério de corte
Motor[OK] Produtos, públicos e criativos que já provaram converter dentro do teto de CAC no seu próprio histórico55% a 65%[OK] Só sai quando o CAC realizado passa do teto por duas semanas seguidas, e não no primeiro dia ruim
Teste[ATENÇÃO] Hipóteses ainda não provadas: produto novo, público novo, ângulo novo, formato novo20% a 30%[ATENÇÃO] Prazo e volume mínimo definidos antes de ligar, corte na data combinada mesmo sem conclusão
Fundo[ATENÇÃO] Remarketing e reengajamento de quem já entrou no site ou já comprou10% a 15%[RISCO] Cresce como consequência do topo, nunca antes dele, senão vira leilão contra a própria audiência

As faixas acima são ponto de partida para a conversa, não são benchmark medido. Elas existem para dar ordem a uma discussão que costuma acontecer sem nenhuma referência, e devem ser calibradas com o histórico de cada operação: quem tem catálogo maduro e pouca novidade sustenta um motor maior; quem está trocando de posicionamento ou entrando em categoria nova precisa de teste maior e vai aceitar um mês pior de propósito.

O que não é opinião é a lógica por trás delas. Verba de teste é o custo do mês que vem. Cortar teste quando o mês aperta parece prudência e é a decisão que garante que o mês seguinte também vai apertar, porque a operação chega nele sem nenhum criativo, público ou produto novo validado. Quando for preciso cortar, o corte correto começa no motor que parou de performar, não na única linha que ainda produz aprendizado.

O segundo corte, por linha de produto, é o que separa orçamento de e-commerce de orçamento de mídia genérico. Dois produtos com o mesmo ROAS e margens diferentes não merecem a mesma verba: o de margem maior devolve mais dinheiro real por real investido. Quem divide só por canal nunca enxerga isso, porque o canal mistura todas as margens numa média que não existe em lugar nenhum.

Canal

Por que canal é o último corte, e não o primeiro

Só depois de saber quanto vai para cada camada e para cada linha é que faz sentido perguntar onde comprar. E aqui a decisão não é sobre qual canal é melhor: é sobre qual papel cada canal cumpre, porque eles não competem pela mesma coisa.

A confusão mais cara desse corte é tratar Meta e Google como substitutos e transferir verba de um para outro com base em quem mostrou o ROAS maior na semana. O canal que colhe demanda existente quase sempre mostra ROAS maior, porque ele aparece no fim da jornada. Cortar o canal que cria demanda para financiar o que a colhe funciona por algumas semanas, até o dia em que não há mais demanda a colher. Essa leitura depende de entender atribuição de vendas antes de mover verba, e não depois.

CanalPapel no orçamentoQuando ele merece mais verba
Meta AdsCria demanda que ainda não existia: descoberta, ângulo, prova social, produto novo[OK] Quando o gargalo é volume de gente nova entrando no site e o site converte bem quem entra
Google SearchColhe demanda que já existe: termo de produto, termo de categoria e marca[OK] Quando existe busca com impressão perdida por limite de verba em termos que já convertem
Google PMax e ShoppingDistribui catálogo para intenção de compra declarada[ATENÇÃO] Quando o feed está saudável, com preço, estoque e título corretos, e a margem da linha aguenta
Retenção: CRM, e-mail e WhatsAppReceita sem custo de leilão por pedido, sobre gente que já é sua[OK] Quase sempre antes de subir o topo, porque não disputa preço com ninguém
Marca no SearchDefende o clique de quem já procurou você pelo nome[ATENÇÃO] Quando há concorrente comprando seu termo; sem concorrente, boa parte desse clique viria de graça

A última linha da tabela merece uma nota, porque é a que mais engana relatório: campanha de marca costuma ter o melhor ROAS da conta e o menor efeito incremental. Quem soma esse ROAS na média da conta acha que a mídia está mais eficiente do que está, e decide o orçamento do mês seguinte em cima de uma média inflada.

O teste que resolve isso é simples e desconfortável: desligue por um período combinado e observe o que acontece com a receita total, não com o número daquela campanha. Se a receita total não cai, aquele dinheiro estava comprando um clique que viria sozinho. Esse mesmo raciocínio vale para qualquer campanha que pareça boa demais no painel.

Auditoria

O Teste da Verba Órfã

Toda conta de mídia com alguns meses de vida acumula o mesmo problema: campanhas que continuam gastando porque ninguém lembra de desligar. Não são campanhas ruins necessariamente. São campanhas órfãs: sem dono, sem hipótese e sem regra de corte. Elas não aparecem em nenhum relatório como problema, porque relatório mostra performance, e o problema delas não é performance, é ausência de decisão.

O Teste da Verba Órfã é uma passada de cinco perguntas em cada campanha ativa, uma vez por mês, antes de montar o orçamento do mês seguinte. Toda campanha que não responde sim às cinco não deveria receber verba nova até responder.

Teste da Verba Órfã: 5 perguntas por campanha ativa

  • ✓ Essa campanha tem um dono com nome, e não uma área inteira como responsável
  • ✓ Existe uma hipótese escrita do que ela deveria provar, em uma frase
  • ✓ Existe um teto de CAC próprio para ela, coerente com a margem da linha que ela vende, e não o teto médio da conta
  • ✓ Existe uma data e um volume mínimo de conversão em que ela será julgada
  • ✓ Existe uma regra de corte combinada antes de ligar, e não decidida depois que o resultado doeu

O efeito prático desse teste raramente é economizar dinheiro. É liberar verba de teste sem pedir aumento de orçamento. A maior parte das operações que dizem não ter dinheiro para testar tem, e ele está parado em campanha órfã do trimestre passado.

O teste também expõe uma armadilha de linguagem: campanha sempre ligada não é a mesma coisa que campanha de motor. Motor é o que provou converter dentro do teto e continua provando toda semana. Sempre ligada é apenas descrição de um hábito.

Ritmo

A Régua de Realocação: como o orçamento muda no meio do mês

Orçamento não é documento, é hipótese com data. Ele vai furar, e furar não é falha de planejamento: é informação chegando. O que separa operação madura de operação nervosa é ter combinado antes o que fazer quando furar, para a realocação não virar reação emocional na terça-feira à noite.

O primeiro passo é diagnosticar corretamente, porque quase toda realocação errada nasce de um diagnóstico apressado.

A verba do mês não está entregando. Onde mexer primeiro?

Nível 1:

  • ↓ — O CPA subiu e o ticket ficou igual: O problema está no custo de aquisição. Olhe leilão, criativo e público antes de tirar verba, porque cortar verba com CPA alto reduz venda e não reduz CPA.
  • ↓ — O CPA ficou igual e o ticket caiu: O problema está na oferta, no mix ou no desconto. A verba está certa, o que mudou foi o que ela compra. Mexer na mídia aqui é tratar sintoma.

Nível 2:

  • ↓ — A conversão do site caiu junto: A verba não é o gargalo. Sessão cara com conversão baixa é problema de destino: página, frete, prazo ou checkout. Realocar entre canais não resolve e ainda esconde a causa.
  • ↓ — A conversão do site ficou estável: O gargalo está dentro da mídia. Aqui sim vale mover verba entre camadas, começando por desligar o teste que passou do prazo sem provar nada.

Nível 3:

  • ✓ — Toda realocação sai com três coisas escritas: De onde o dinheiro saiu, para onde ele foi e o que precisa acontecer até quando para ele ficar de pé. Sem isso, a movimentação vira ruído e ninguém aprende nada com ela no mês seguinte.

Diagnosticado o problema, sobra a pergunta prática: para onde vai o próximo real. A régua abaixo dá peso a cada critério para que a decisão pare de ser decidida por quem fala mais alto na reunião. Ela é ferramenta de conversa, e os pesos devem ser ajustados à realidade de cada operação: quem opera com estoque apertado, por exemplo, sobe o peso do quarto critério.

Régua de Realocação: para onde vai o próximo real (100 pontos)

  • Distância do teto de CAC (30%): Quanto o CAC realizado está abaixo do teto daquela linha. Quem tem folga aguenta mais verba sem sair do lucro, e é sempre o primeiro lugar a olhar.
  • Margem da linha de produto (20%): Produto de margem maior devolve mais dinheiro real por real investido, mesmo quando o ROAS aparece parecido no painel.
  • Sinal de saturação (20%): Frequência e custo por mil impressões subindo com resultado parado indicam que mais verba ali compra menos, e não mais.
  • Estoque e prazo de entrega (15%): Verba em produto sem estoque ou com prazo ruim vira cancelamento e reembolso, não vira receita.
  • Confiança do dado (15%): Volume de conversão suficiente para a leitura não ser sorte da semana. Decisão em cima de poucas conversões é aposta com nome técnico.

A cadência que faz essa régua funcionar é semanal, não diária. Decisão diária de verba costuma reagir a ruído, e o custo dela é duplo: o algoritmo reaprende do zero a cada mudança grande, e a operação perde a capacidade de saber o que causou o quê. Uma leitura semanal firme, com as métricas de e-commerce certas na mesa, vale mais que sete leituras nervosas.

Sistema

Onde o orçamento deixa de caber na planilha

Tudo que está neste artigo cabe numa planilha bem feita, e vale montar assim mesmo. A planilha é onde o método é aprendido, e quem aprende leva o método junto se um dia trocar de ferramenta.

O ponto em que ela para de servir é sempre o mesmo, e não tem a ver com o tamanho da conta: é quando o orçamento precisa conversar com o que aconteceu sem alguém fazendo a ponte à mão. O planejado mora na planilha, o realizado mora no gerenciador, o pedido mora na loja, a margem mora no financeiro e a decisão mora na memória de quem estava na reunião. Cada mês, alguém passa horas reconciliando essas cinco versões, e a decisão só é tomada depois que a reconciliação termina.

Sinais de que o orçamento pediu sistema

  • ✓ O teto de CAC precisa ser recalculado por linha de produto e a planilha só tem a média da conta
  • ✓ A comparação entre planejado e realizado chega dias depois de a decisão precisar ser tomada
  • ✓ O que foi combinado na reunião de verba não vira tarefa com dono e prazo em lugar nenhum
  • ✓ Ninguém consegue reconstruir, três meses depois, por que a verba foi remanejada naquela semana
  • ✓ A margem que sustenta o teto de CAC está num arquivo do financeiro que a mídia não abre

É aqui que a diferença entre mostrar e decidir aparece inteira. Relatório de mídia, dashboard e planilha de planejamento mostram o desvio com precisão crescente, e nenhum dos três remaneja a verba, abre o teste ou cobra o que a leitura pediu. O Axoly foi construído para a passagem seguinte: planejamento por drivers, mídia, dados, clientes e financeiro vivem no mesmo lugar, com IA Cognitiva lendo o desvio e devolvendo a ação já como tarefa, com responsável e prazo, e o registro do que foi decidido ficando no sistema.

A ordem, porém, vale para qualquer ferramenta: primeiro a margem de contribuição correta, depois o teto de CAC, depois os três cortes na ordem certa, e só então a discussão de canal. Quem monta esse método decide melhor com qualquer software. Quem pula direto para a divisão por canal descobre alguns meses adiante que aumentou a verba de um produto que nunca teve margem para sustentá-la.

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Perguntas frequentes

Quanto do faturamento um e-commerce deve investir em mídia?

Não existe percentual único, e adotar um número de mercado é o erro mais comum do tema. O valor correto sai do teto de CAC que a sua margem de contribuição aguenta, multiplicado pelo número de pedidos novos que a meta do mês exige. Duas operações com o mesmo faturamento e margens diferentes têm orçamentos corretos muito diferentes, e a que copiar o percentual da outra vai errar por definição. O percentual sobre faturamento serve como conferência depois da conta, nunca como ponto de partida antes dela.

Como calcular o orçamento de mídia do mês?

Em três passos, sempre nesta ordem. Primeiro, calcule o CAC máximo: ticket médio multiplicado pela margem de contribuição e pela fatia dessa margem que o negócio aceita gastar em aquisição. Segundo, descubra quantos pedidos a verba precisa comprar, subtraindo da meta de pedidos aqueles que a base historicamente entrega sem mídia, por canal direto, orgânico, e-mail e recompra. Terceiro, multiplique um pelo outro: o resultado é o teto de verba do mês, que é limite e não obrigação de gasto.

Qual a divisão ideal de verba entre Meta Ads e Google Ads?

Não existe divisão ideal fixa, porque os dois canais cumprem papéis diferentes e não são substitutos. Meta cria demanda que ainda não existia e Google colhe demanda que já existe, então a divisão depende de onde está o seu gargalo: se falta gente nova entrando no site, o peso vai para criação de demanda; se existe busca com impressão perdida por limite de verba em termos que já convertem, o peso vai para colheita. O erro clássico é transferir verba para o canal com maior ROAS na semana, porque quem colhe demanda quase sempre mostra ROAS maior sem ter criado aquela demanda.

Quanto da verba deve ir para teste de criativo e público?

Uma faixa de partida entre 20% e 30% funciona como referência para começar a conversa, e deve ser calibrada com o histórico da operação. Quem tem catálogo maduro e pouca novidade sustenta um teste menor; quem está entrando em categoria nova ou trocando de posicionamento precisa de mais. O importante é entender que verba de teste é o custo do mês seguinte: cortá-la quando o mês aperta parece prudência, e é o que garante que o mês seguinte chegue sem nenhum criativo, público ou produto novo validado.

O que fazer quando a verba de mídia acaba antes do fim do mês?

Antes de pedir mais verba, diagnostique se o problema é de mídia mesmo. Se o custo por aquisição subiu e a conversão do site caiu junto, o gargalo está no destino, não na verba, e mais dinheiro vai comprar mais sessão cara para uma página que não converte. Se a conversão do site está estável e o custo subiu, o gargalo está dentro da mídia, e o primeiro movimento é desligar o teste que passou do prazo sem provar nada e a campanha órfã que ninguém sabe explicar, o que costuma liberar verba sem aumentar orçamento.